O que não te desafia, não te muda

A cultura é um reflexo do que acontece na política, na economia, e de como somos educados. É preciso olhar para dentro antes de olharmos a música que está fazendo sucesso atualmente em nosso país, ou de reclamarmos da programação da televisão brasileira. Você deve estar pensando: Que culpa tenho eu? Que relação o meu comportamento tem com a atual música do Brasil ou com o que passa na Tv?
Tudo esta conectado. Não adianta culpar o governo se você não faz a sua parte dentro da sua própria casa. Não se iluda! Uma latinha que você joga na estrada, ou até mesmo um simples chiclete nas ruas, afetam o meio ambiente, que afeta consequentemente o ser humano. O ar que a gente respira, a água que a gente bebe, etc. Tudo o que você esta vivendo hoje é consequência do que você fez um dia, por mais que isso não faça sentido na sua cabeça hoje.
Você discrimina um gay na rua? Desrespeita alguém da sua família, e está julgando a música que está tocando no rádio? Você reclama que só passa besteira na Tv, e continua deixando ela ligada? Continua pagando pra ter a programação? Você é do tipo que paga pra ver, não tem muito segredo. Não é novidade pra ninguém que você é o que você escuta, assiste. Tudo isso influencia os seus sonhos da madrugada, que acabam influenciando em seu dia inteiro, e automaticamente, em suas escolhas. Não é a toa que vivemos com tanto medo de sair às ruas, enquanto os bandidos estão soltos por aí. Não é a toa que vivemos com medos psicológicos. A mídia impõe isso em nossa cabeça, em nosso inconsciente coletivo, e nos tornamos fieis a eles. Continuamos dando audiência às picaretagens, às bandidagens, às noticias ruins. A mídia não se interessa pelas coisas maravilhosas que estão acontecendo em nosso planeta atualmente. É interessante para eles correrem atrás de notícias ruins para manter a audiência. É um ciclo sem fim, se não fizermos algo. Está em nossas mãos. E basta dar o primeiro passo. Não estou dizendo que devemos ser cegos ao que está acontecendo debaixo de nosso nariz, e partir de agora só enxergar as coisas boas. Não. Mas, não adianta estar por dentro das notícias que passam diariamente nos jornais, só para ficar antenado, e nos encontros de família e de amigos você alimentar o seu ego se mostrando por dentro das notícias, se você não toma nenhuma atitude relacionada ao que vê. Não importa o que você sabe. O que importa é o que você faz com o que sabe.
Nós precisamos fazer alguma coisa. Definitivamente, reclamar não é uma solução, e se fazer de vítima menos ainda. Ninguém aqui é vítima.
O roubo do Lula não é pior do que a latinha que você joga na estrada, ou aquele chicletinho que provavelmente deve ter matado algum animal indefeso.
O roubo imenso e absurdo do governo não é pior do que a grosseria que temos por aí no transito, ou com a sua mãe em casa. Você acha que é só um mal entendimento do dia a dia ? Sabia que você pode mudar a vida pra pior, daquela pessoa que você escolheu a grosseria como o comportamento adequado para aquele momento? Ou pode também ter influenciado o seu irmãozinho mais novo que te viu brigando com a sua mãe, e ficou com aquela cena registrada dentro de seu inconsciente. A gente pode não perceber, mas tudo o que a gente faz ressoa na vida das pessoas, no meio ambiente, e volta para nós. Ou você acha que essas catástrofes naturais não tem nada a ver com o comportamento hostil do ser humano?
A natureza está falando conosco através de sua voz, mas parece que não escutamos. Infelizmente é preciso um tsunami, um furacão, um terremoto pra que possamos se unir no amor.
Todas as nossas atitudes refletem na situação em que o Brasil se encontra hoje. Como podemos continuar comendo carne, se a gente sabe exatamente como judiam e esfolam os pobres e indefesos animaizinhos, que tem almas e sentem como a gente? Eu era tão ignorante. Não sabia como eram feitas as carnes que a gente come, os ovos, o leite, e quando fui pesquisar a fundo, pensei: eu preciso fazer alguma coisa. Tenho redes sociais cheias de seguidores. Para que servem esses milhares de seguidores se eu não puder dizer o pouco do que sei, ao invés de ficar me exibindo com fotos, com corpo, com coisas fúteis? Eu sei que é difícil se expor. Dá medo do que os outros vão pensar, mas sabe de uma coisa? O que os outros vão pensar não importa, porque ninguém vai pensar mais nada se esse mundo acabar por inconsequências nossas, por irresponsabilidade humana. Temos que colocar as nossas vozes para fora. Não podemos mais continuar quietos diante de tanta falta de amor. Vamos despertar. Tenha coragem de falar. Tudo o que está em seu coração importa.
Como podemos continuar sendo tão egoístas com esse pobres animais indefesos que tem almas com nós? Que sentem, que choram, que amam, e muitas vezes nos ensinam o que é o amor. A gente come carne porque estamos acostumados? Porque faz parte de nossa cultura? Porque tem proteína? Porque sem carne não sobreviveríamos ? Será que seus momentos rápidos “nos churrascos da vida” valem os sofrimentos longos dos animais? E se te separassem de sua mãe quando voce era bebê, apenas pra sobrar mais leite do peito dela para a indústria ganhar mais, e mais dinheiro? E se te triturassem numa máquina quando você era bebe só porque você nasceu homem, e os homenzinhos não servem pra nada? Pois é assim que eles lidam com os pintinhos machos. Eu também não sabia de nada disso, até ver com os meus próprios olhos na Internet. E tem muito material disponível.
Você não sente nada sabendo disso tudo? Você lê isso, e mesmo assim não faz nada? Eu sei que você deve estar pensando que parar de comer carne tornaria a sua vida social muito mais difícil, e as pessoas falariam “Você não gosta de peixe? Você não gosta de carne? Você não gosta de porco? Você não gosta de galinha? Pois olhe no olho dessas pessoas, com muito amor no coração, e diga: Eu gosto, eu gosto de todos eles VIVOS.
Vamos deixar os nossos animais viverem. Quando vamos ao mercado e levamos carne, frango, presunto, estamos levando também a energia daquele pobre animal que foi maltratado e, isso tem causado muitas doenças. É claro que existem por aí muitas fazendas que cuidam muito bem de seus animais, mas sinceramente, você precisa tirar a vida deles para continuar vivo? Não precisa responder agora. Faça um estudo antes. Leia sobre os alimentos. Entre a fundo nisso. E você não precisa parar de uma vez.
Estamos evoluindo, dia após dia, devagar, passo a passo, mas se a gente tem consciência de tudo isso e não faz nada, que moral nós temos pra falar sobre o governo de nosso país ? Se você não sabe nada sobre esse assunto e ainda continua comendo carne, não tem problema. Nunca é tarde para dar o primeiro passo. Vamos nos alimentar do que a mãe terra tem a nos oferecer. E olha que eu to descobrindo muita coisa boa. Muita comida gostosa que eu nem sabia que existia. E posso falar ? To economizando muito mais dinheiro. É! comer carne custa mais caro pro nosso bolso, pra nossa saúde, e além do mais, os donos dessas empresas de carnes e frangos, são os bandidos que a gente xinga todos os dias. Que o seu coração supere o seu paladar!
E se eu te convidasse a pensar além, fora da casinha? E se você se abrisse para as milhares de possibilidades que a vida nos proporciona? A nossa cultura nos limita. Mas, o nosso ser é ilimitado. Seria muito desperdício deixarmos a nossa cultura nos limitar assim. Você vai passar a vida inteira comendo arroz, feijão e carne porque faz parte da nossa cultura? Vai continuar ouvindo música ruim porque no Brasil só música ruim faz sucesso? Vai continuar jogando lixo nas ruas porque só um lixinho seu não vai fazer diferença? Vai continuar xingando as pessoas que nem conhece nas ruas, só porque elas cometeram algum erro que você julgou ser inadimissível? Vai continuar errando e errando em coisas que voce julga “pequenas” só porque ninguém esta olhando? Caráter é aquilo que voce é quando ninguém esta te olhando. Nunca reclame do que você permite.
Não estou aqui pra convencer ninguém, mas pra te convidar a pensar, exatamente como alguém me convidou a pensar um dia. Não tente mudar o outro. Tenha iniciativa. Mude a si mesmo. Você influencia o outro com suas atitudes. Faça as mudanças necessárias em voce mesmo, e isso ajudará muita gente.
Bruna Pinheiro
A coluna se intitula “Elas Paralelas”, porque meu olhar tende a ser complementar ao olhar da Bruna. Ela de uma perspectiva artística emocional, eu de uma mais voltada ao mercado e à razão. Este é um tema, especificamente, que assino abaixo de tudo o que ela acaba de dizer. A vida seria muito mais fácil, autêntica e honesta, se as pessoas assumissem responsabilidades por seus atos. Mas crescemos, e o os “adultos” tendem a esconder a responsabilidade embaixo do tapete. Mais fácil apontar os dedos, à olhar para dentro de si, crescer e ser sincero. Não com os outros, mas consigo mesmo. Já diz a música ‘Era Uma Vez’, de Kell Smith, artista que vem ganhando espaço de 2017 para cá no mercado da música, “porque um joelho ralado dói bem menos que um coração partido”. Crescer dói. Mas não temos com evitar, e as responsabilidades são parte do fluxo.
Tudo o que fazemos, por menor que seja, afeta nossa volta, nossa sociedade, as crenças de nossos filhos e todo o universo. O efeito borboleta vem de uma cadeia interconectada de fatores. A economia se movimenta pela política, evolução tecnológica, social, ambiental e por aí vai. É como se o sistema fosse um enorme móbile, ou um dominó, um baralho empilhado. Se puxarmos uma cartinha lá debaixo, tudo irá desmoronar.
Li recentemente um parágrafo que me chamou atenção, algo que recebi por whats app. Dizia algo assim: um pai levava 2 filhos ao circo, na bilheteria perguntou quanto estavam os bilhetes, e o dono do circo dissera que para crianças menores de 5 anos era gratuito, e que para crianças de 6 a 10 anos, a entrada custaria R$ 20,00. Para maiores de 11 anos, o valor já passava a ser R$ 40,00. O pai então disse que seus filhos tinham 6 anos e o outro 11 anos. O rapaz na bilheteria então disse: mas porque você não disse que seus filhos tinham 5 anos e o outro 10 anos? Você não pagaria nada por um e R$ 20,00 a menos pelo outro, economizaria portanto R$ 60,00, e nunca desconfiaria as idades deles. O pai das crianças então responde: mas meus filhos saberiam, e perceberiam que eu estaria mentindo. E isso mudaria para sempre o caráter de cada um deles.
Para sermos melhores, temos que querer ser mais. Nos desafiarmos a sermos diferentes dos padrões da sociedade. Tudo o que não te desafia, não te muda. Ao nos inspirarmos em feitos já existentes, ídolos já manjados e padrões, nunca iremos superar o que já existe, e sempre basearemos nossos limites ao que o outro fez, sendo que podemos ser mais, e melhores. Temos que trabalhar em nossa superação pessoal, em buscarmos nossas melhores versões. E não nos compararmos ao outro. Podemos ser mais, e fazermos mais. Podemos superar crenças que nos limitam, e a alienação que a mídia nos conduz sermos e pensarmos, todos iguais, dentro de um padrão. Não existe certo ou errado, mas devemos levar em consideração o respeito. Vamos parar de apontar o dedo para o outro, porque isso significa que algo que nos incomoda no outro, não está bem resolvido dentro de nós. Para cobrarmos, precisamos ir a fundo, e adquirirmos o conhecimento necessário para podermos questionar.
Matamos nossa própria raça, e tantas outras. Precisamos ter mais amor ao outro. Não precisamos ir muito longe, mas olhar a condição de tantas crianças que já nascem e morrem todos os dias na Síria, trás muita indignação. Tenho visto muitos posts referente ao assunto com o slogan “odeio a humanidade”.  Mas e se esse ódio se tornasse amor, e como um efeito de “pay it forward”, pudéssemos mudar nosso redor, e este consequentemente mudaria seu próprio redor, e consequentemente, acabaria mudando o mundo. Minha história de infância favorita é a do cientista que concentrado no trabalho, resolveu picotar e dar uma página de uma revista com um mapa mundi para ocupar o tempo de seu filho de 4 anos, que deveria montar o quebra cabeça. Acreditando que ele tomaria horas de seu dia tentando decifrar o quebra cabeça, já que não conhecia o mapa do mundo, o cientista voltou a trabalhar. Nem 40 minutos depois o menino vem em sua direção com o mapa na mão. Indignado o pai pergunta a seu filho como aquilo fora possível. E o menino responde que realmente não conhecia o mundo e que por isso dificilmente poderia montá-lo. Mas percebeu que o outro lado da página da revista era a foto de um homem, e este ele conhecia e poderia montar. Mude o homem, e consequentemente estará mudando o mundo. Não tente mudar o mundo, e não adianta se revoltar com tudo. Mas fazer sua parte e ajudar mudando o homem.
Tem um filme ainda que fala muito do tema que a Bruna citou, sobre tantos assassinatos de animais indefesos, por uma crença de alimentação que já foi provada não ser real. Recomendo assistirem o documentário chamado Cowspiracy, no Netflix, que fala sobre o quanto a indústria pecuária afeta nosso bem estar, a vida do planeta e está levanto o meio ambiente ao declínio. Nem se trata te crueldade animal, mas a prática de que não adianta nada diminuirmos horas de banho, ou irmos de bike trabalhar, se continuarmos comendo carne, pois pasmem, mas um bife representa mais de 20 banhos seus por dia, devido à quantidade obscena de animais, e consequentemente água e ração consumidas. A água que está escassa, e a ração que acarreta em tanto desmatamento de nossa Floresta Amazônica, para plantação de soja; efeito estufa, degelo, e ainda para completar o fato do “pum” e do “cocô” do gado serem os maiores poluentes de nosso ar, mais de 500 vezes o que equivaleria a todos os carros, ônibus e caminhões do mundo juntos. Super curioso ainda os motivos e curiosidades que o filme trás, e a falta de informação e divulgação, encobertas, já que esta é a indústria que manipula quase tudo. Tudo está conectado. E a poeira embaixo do tapete? Bom, já estão deixando de existir tapetes, e a poeira está já à vista de quem quer ver.
Camila Chagas