E se tivéssemos o árbitro de vídeo…

Hoje vemos uma discussão sobre a importância do uso de árbitro de vídeo no futebol (sim teremos mais um avanço no futebol, como o uso dos cartões a partir da copa de 70 e o spray pra sinalizar barreira a partir dos anos 2000). Mas esse tal “avanço” em outros esportes, como efeito de comparação, está muito atrasado.

Para efeito de comparação, segundo pesquisas em outros sites, vôlei começa o uso em 2012, e nas olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016, foi comum ver técnicos e jogadores solicitando o “desafio”, o tênis usa pra rever jogadas e minimizar erros a partir de 2006, o futebol americano usa tal tecnologia desde 1976 (como testes, sendo o uso obrigatório durante ao campeonato em 1986), e até o judô e ginástica rítmica usam árbitros de vídeo para decretar pontos e até vitórias.

Tomemos como parâmetro o esporte mais popular da terra do tio Sam com o nosso futebol. Se a FIFA (junto com a International Board, que é a instituição que cuida de tais inovações) tivesse pensado em algo parecido com a NFL desde a década de 1980, a gente teria muitos resultados diferentes, e aí que está a polêmica…

A primeira polêmica seria a “La mano de Díos”, o gol de Maradona. Se estivesse o árbitro de vídeo em uso, mesmo que em fase de testes, concerteza não estaríamos com este folclórico gol em nossas cabeças, e provavelmente a Argentina não passaria da Inglaterra. E também temos outros gols de mão que a arbitragem não passaria, inclusive do Maradona também mas de outros jogadores, como Henry na repescagem da copa de 2010, que classificou a França perante a Irlanda, o Adriano  no São Paulo e Palmeiras no paulistão de 2008, o Jô no Corinthians e Vasco no brasileirão de 2017, Túlio no Brasil e Argentina na copa América de 1995.

Falando em Túlio, quem não se lembra do gol impedido na final do brasileiro de 1995 contra o Santos. Segundo as regras para o uso do árbitro de vídeo (marcação de pênalti, corrigir erros de cartão para jogador e impedimento são as principais regras) aquele gol não seria validado, além disso o árbitro Márcio Rezende de Freitas não iria assinalar impedimento no gol de Camanducaia a favor do Santos. Ou seja, o botafogo não teria o único título brasileiro e o Santos seria campeão brasileiro 9 vezes.

E o pênalti escandaloso do Fábio Costa em Tinga que o mesmo Márcio Rezende de Freitas não assinalou no Corinthians e Inter no brasileiro de 2005?

Enfim temos muitos casos de erros de arbitragem que seriam corrigidos se tivéssemos o uso do árbitro de vídeo. Mas também vai do entendimento dos árbitros, se o uso pode interferir. Haverá muita reclamação que pode ter interferência externa, afinal o futebol é uma arte imperfeita e imprecisa, e estes lances que possam ser um dia errados, ficam marcados na história.

Sobre Felipe dos Santos 11 Artigos
Professor de Historia, Técnico em Processos Gerenciais e Articulista Esportivo.