Culpa, desculpa e alívio

A palavra culpa se origina do latim e de acordo com o dicionário Michaelis um de seus significados é:

– Consequência de ter feito o que não se devia fazer.

Com essa definição acredita-se que a culpa está relacionada com o cometer um ato imoral ou ilegal.

No consultório a culpa é tratada como um sentimento que nem sempre está tão claro ou definido, pode vir de algo vago, indefinido, esquecido do passado e que interfere na vida de uma pessoa, fazendo-a sentir-se inadequada, um sentimento que atormenta e atordoa demais a ponto de desestruturá-la emocionalmente, comprometendo o equilíbrio emocional.

Todos nós de uma forma ou de outra, sentimos culpa com frequência, levando-nos a sentimentos destrutivos e de menos valia interferindo em nossa auto estima. A culpa aparece decorrente do cometimento de um erro que consideramos grave, ou quando fazemos algo que não gostaríamos de fazer.

Aquilo que dizemos a nós mesmos repetidamente ou pensamento repetitivos negativo com culpa, vão enraizando em nossas mentes de modo a comprometer a forma de agir e de pensar, deixando nossos processos mentais inconscientes sintonizados o tempo todo com o que dizemos ou pensamos sobre nós mesmos, dando significados depreciativos ao nosso modo de ser, nos tornando cúmplices da culpa.

Este processo mental tem enorme potencial na vida das pessoas, pois motiva e estimula na mente, uma revisão de erros aumentando a vigilância e controle do futuro, impactando de forma negativa o comportamento emocional, que se agarra ao passado impossibilitando impulsionar a vida pra frente.

É necessário que haja um esvaziamento da culpa para que se consiga fazer a ressignificação desses conteúdos internos de negativos para positivos.

A psicoterapia através de tratamento psicológico possibilita esse processo buscando o fato gerador dessa culpa, onde começou e como se materializou no percurso da vida.

A culpa nem sempre tem o caráter negativo; fornecem experiências, aprendizado favorecendo o contato com situações do passado e com as ações reforçadoras, com a possibilidade de resignificar de forma positiva os conteúdos internos, aliviando o sentimento de culpa, favorecendo a remissão dos sintomas e assim conquistar o bem estar físico e emocional.

Sobre Elaine Marini 18 Artigos
Psicóloga graduada em Psicologia desde 1986, Especialista em Psicologia Clínica e Manejo Psicológico na cirurgia bariátrica; pós graduada em Psicologia Transpessoal, Psicologia Hospitalar e Gestão Escolar. Escritora com 4 livros editados na área de Psicologia. Atualmente Chefe do setor de Psicologia hospitalar no Hospital Cruz Azul em São Paulo.