Torcidas Organizadas: um mal necessário ou falta de compreensão da sociedade?

Torcidas organizadas dos grandes clubes de São Paulo em ato de homenagear à Chapecoense após a tragédia no fim de 2016.

Voltamos com um assunto que é bom pensar: as torcidas organizadas nos dias atuais. Será que ainda são boas para clubes e para o futebol? Será que dão uma resposta positiva ou negativa à sociedade?

Como todos sabem, um clube de futebol, por simpatia de alguns adeptos, tem uma torcida. Alguns casos essa simpatia se torna algo organizado, com instrumentos musicais e bandeiras representando o amor e apoio à entidade esportiva. Isso é a torcida organizada. A história delas no Brasil começa em 1942 com a charanga rubro negra do flamengo, mas teve o seu “boom” durante a ditadura militar, com o surgimento das que hoje são as maiores torcidas organizadas do Brasil. Muitas elas surgem como dissidência de antigas organizadas, bem como uma resposta aos clubes.

Com o passar do tempo tais organizadas começaram a ter representatividade dentro dos clubes, e, com o teor da rivalidade com os times adversários acabaram se tornando organizações “violentas”. Comum ver notícias de brigas entre facções nos jornais em clássicos e jogos de maior repercussão. E isso acaba distorcendo a visão real de torcida organizada perante a população. Mas será que realmente hoje as organizadas são de confusão e, por muitas vezes, prejuízo aos clubes?

Se for ver a raiz dos problemas não é bem assim que os organizados pegam. Muitos organizados são pais de família e assalariados, que encontram dentro de um jogo de futebol uma alternativa de entretenimento cada vez mais raro de se assistir. A estrutura dos estádios hoje é deprimente na maior parte do Brasil, salvando somente os estádios “padrão FIFA” da copa do mundo, e estádios sob propriedade de clubes (mas alguns casos, pois a grande maioria não se investe nem em conforto). Em contrapartida os ingressos para se ter idéia, tem preços de ligas que estádios são rigorosamente fiscalizados, como a La Liga da Espanha e a Premier League do Reino Unido, e o poder aquisitivo do brasileiro não é capaz de ter tal diversão. Fora a acessibilidade como ônibus e metrô, por exemplo, as proibições dentro e fora do estádio.

Torcida tricolor Independente na década de 1980, quando bandeiras com haste de bambu eram liberadas nos estádios.

Mas a questão da violência está mudando. Ações de conscientização dentro de organizadas com apoios de órgãos de segurança, além da fundação de associações que representam elas, como a ANATORG – Associação Nacional das Torcidas Organizadas, o incentivo de práticas benéficas à população (doação de sangue e alimentos, escolinha de instrumentos musicais e de informática são alguns exemplos) são exemplos de que a mentalidade da organizações. Mas não se muda a mentalidade da noite para o dia. Ainda pode ocorrer as desavenças, mas está sendo combatido. E outra coisa importante. O cadastramento de torcedores junto aos órgãos de segurança para coibir a violência.

Aqui no Brasil as torcidas organizadas são exemplos de amor incondicional aos clubes, mas tem situações adversas que afastam o torcedor comum dos estádios. Mas só culpar as organizadas não é a solução, tem que sim estudar os problemas do cotidiano.

 

Sobre Felipe dos Santos 11 Artigos
Professor de Historia, Técnico em Processos Gerenciais e Articulista Esportivo.