O que é síndrome do pânico? Dicas e formas de tratamento

A Síndrome do Pânico é um distúrbio de ansiedade grave, real e potencialmente incapacitante, mas pode ser controlado com tratamentos específicos como a Psicoterapia e em alguns casos, com acompanhamento médico que devem ser levados a sério pelo paciente. Geralmente a Síndrome do Pânico é confundida com uma doença cardíaca ou outra doença grave.

É um distúrbio de ansiedade generalizada, nitidamente diferente dos outros tipos de ansiedade, pois se caracteriza por crises súbitas acompanhadas do medo intenso e irracional de morte iminente, aparentemente sem fatores que justifiquem tais crises, mas que, com certeza, faz com que o portador sinta-se incapaz.

Freqüentemente, as pessoas procuram um pronto socorro quando têm a crise de pânico e podem passar desnecessariamente por extensos exames médicos para excluir possibilidades de outras doenças o que causa um desgaste emocional muito grande, além da frustração quando se percebe que os resultados dos exames nada indicam; isso faz o paciente entrar num estado intenso de stress, podendo levá-lo a um processo depressivo, carregado de sintomas desagradáveis , tornando-o totalmente inseguro e medroso diante de tudo e de todos.

Os sintomas aparecem de repente e sem causa aparente; alguns deles podem incluir: palpitações (coração dispara), dores fortes no peito, tontura, atordoamento, náusea, intensa dificuldade para respirar, com fortes sensações de falta de ar, sensação de formigamento nas mãos e pernas, fraqueza nas pernas que dá a impressão e sensação de desmaios, ondas intensas de frio e calor, terror (sensação de que algo muito ruim vai acontecer e que se vai perder o controle da situação e ficar impotente para reagir.

O principal sintoma dentre todos esses é o medo da morte súbita. As crises de pânico geralmente duram de 5 a 20 minutos e é uma das situações mais angustiantes que pode ocorrer com alguém; quem tem uma crise do pânico, com certeza terá outras, pois elas são reincidentes , podendo se repetir por várias vezes seguidas, ou não, dependendo do caso. Por tudo isso, há a necessidade da avaliação de um profissional especializado na área.

Depois de uma crise, geralmente a pessoa começa a desenvolver medos irracionais (chamados fobias)e a evitar todas as situações que lhe provoquem tais fobias. Gradativamente, o nível de ansiedade e o medo de uma nova crise podem atingir proporções tais, que a pessoa com a Síndrome do Pânico pode se tornar incapaz de realizar as coisas mais simples, que antes da crise, conseguia fazer sem problema algum.

Algumas pessoas chegam a se isolar dentro de casa a tal ponto de nem conseguirem colocar os pés para fora de casa. Nesse estágio costuma-se dizer que a pessoa tem a Síndrome do Pânico com agorafobia (que é o medo de lugares abertos). Desta forma, a Síndrome do Pânico traz um impacto tão grande na vida de uma pessoa, como qualquer outra doença grave, que se não for tratada corretamente, poderá se agravar a ponto do paciente ser profundamente prejudicado pelas crises de pânico ou pelas tentativas de evitá-las ou ocultá-las. De fato, muitas pessoas têm problemas com os amigos ou a família, ou perdem o emprego, enquanto lutam contra os distúrbios da doença.

Pode haver períodos de melhora espontânea desses distúrbios, mas em geral, eles não desaparecem, sem um tratamento eficaz. De acordo com uma das teorias, o sistema de “alerta” normal do organismo (um conjunto de mecanismos físicos e mentais que permite que uma pessoa reaja a uma ameaça) tende a ser desencadeado desnecessariamente na crise de pânico, sem haver perigo iminente.
Graças a estudos, a Psicoterapia, com suas diversas abordagens ou tipos específicos de tratamento, vem obtendo ótimos resultados com pacientes dessa síndrome. A melhora em geral ocorre em poucas semanas, claro que se o paciente participar ativamente do tratamento, querendo se ajudar.

A participação do paciente é essencial para que se possa resolver e superar efetivamente o problema. Infelizmente, muitas pessoas com distúrbio do pânico não procuram ou não recebem tratamento adequado por desconhecerem a doença e sua gravidade.
Uma dica muito importante para quem convive com pessoas com essa doença é: Ter muita paciência , compreensão e incentivar o doente a procurar ajuda especializada, pois sem essa ajuda o quadro tende a se agravar a cada dia e continuar por meses ou anos. Embora, caracteristicamente, ele se inicie na vida adulta, em algumas pessoas os sintomas podem aparecer antes ou depois deste período.

Ainda não se sabe qual a causa do pânico; há alguns estudos sobre o assunto, mas com certeza o stress é um dos fatores mais acentuados. Constatou-se também que o pânico ocorre com maior freqüência em algumas famílias e isto pode significar que haja uma participação importante de um fator hereditário (genético), que provocará a doença. Devido a todos esses fatores e a gravidade da Síndrome do Pânico, se você conhece alguém ou mesmo você tem alguns desses sintomas ou identifica-se com eles, procure ajuda de um psicólogo/psicoterapeuta.
Com certeza o resultado será satisfatório.

Sobre Elaine Marini 16 Artigos
Psicóloga graduada em Psicologia desde 1986, Especialista em Psicologia Clínica e Manejo Psicológico na cirurgia bariátrica; pós graduada em Psicologia Transpessoal, Psicologia Hospitalar e Gestão Escolar. Escritora com 4 livros editados na área de Psicologia. Atualmente Chefe do setor de Psicologia hospitalar no Hospital Cruz Azul em São Paulo.