Metroviários têm greve marcada para a próxima quinta-feira

Metroviários de São Paulo distribuíram à população nesta terça-feira (16) “carta aberta à população” falando sobre greve do setor marcada para a próxima quinta-feira (18) contra a privatização de duas linhas em construção e o suposto jogo de “cartas marcadas” entre o Metrô e o Grupo CCR.

A categoria decidiu no último dia 9 que faria nesta semana uma paralisação de 24 horas “contra a privatização do metrô, a terceirização das bilheterias e o aumento das tarifas”. Ainda de acordo com os servidores, a privatização poderá diminuir o número de metroviários.

Uma nova assembleia, no entanto, está marcada para a véspera da greve, esta quarta-feira (17), e pode reverter a decisão dos servidores do Metrô.

Está marcado ainda para a sexta-feira (19) um protesto da categoria, a partir das 14h, em frente à Bovespa na Rua 15 de Novembro, onde está marcado o leilão do metrô paulista.

“Cartas marcadas”

A categoria pretende denunciar a “entrega” das linhas 5-Lilás e 17-Ouro, em construção. O Sindicato dos Metroviários de São Paulo também acusa a licitação das linhas de ser de “cartas marcadas”.

No último dia 11, o Sindicato “denunciou” que a empresa CCR será a vencedora das licitações das duas linhas marcadas para o próximo dia 19.

Segundo os metroviários, o edital foi realizado para favorecer a companhia. “A CCR, que opera a Linha 4-Amarela, é a única empresa capaz de cumprir os pré-requisitos do edital, como já ter operado um sistema metroferroviário com movimento de 400 mil passageiros por dia”, diz o texto no site do sindicato.

Os metroviários também afirmam que a CCR é a única empresa que realizou uma análise técnica para concorrer na licitação, e que foi, inclusive, remunerada pelo Metrô, assim como a Odebrecht, para realizar o estudo que serviu como base do pré-edital que ela mesma concorreu.

“Além de ser a única a apresentar os estudos técnicos, os critérios estabelecidos foram feitos sob medida para ela (a CCR)”, acusa a categoria, citando “exigências com experiência com o modal Monotrilho”, sendo que “a CCR tem o único e minúsculo trecho existente em São Paulo e também é a responsável pelo monotrilho na Bahia”.

Além de beneficiar uma única empresa, o edital prevê que as linhas sejam entregues à iniciativa privada prontas, com novos trens e sistema implementado, ou seja, com o ônus da construção unicamente para o Estado, acusa a Federação Nacional dos Metroviários (Fenametro). O lance inicial previsto no leilão é de R$ 189,6 milhões, um valor que não chegaria a cobrir sequer os investimentos iniciais do Estado, além de ser financiado com dinheiro público, pelo BNDES. Segundo o sindicado, apenas o sistema dos trens, o chamado CBTC, custou aos cofres públicos R$ 175 milhões.

O sindicato apontou, por fim, que a CCR tem como principais acionistas as empreiteiras Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez, acusadas de cartel e corrupção em diversas ações da Lava Jato, inclusive em obras antigas do metrô paulista.

Outro lado

A reportagem entrou em contato com a assessoria do Metrô, questionou sobre a greve e as acusações do sindicato e aguarda um posicionamento.

(Créditos: Jovem Pan)