Juan Carlos Osorio não é mais técnico do São Paulo

O técnico colombiano, Juan Carlos Osorio, procurou na tarde desta terça-feira(06) a diretoria do São Paulo para informar que aceitou a proposta de treinar a Seleção do México e não será possível continuar no comando técnico do Tricolor.

Além de Osorio, o auxiliar técnico Luis Pompilio e o preparador físico Jorge Rios também deixarão o São Paulo rumo à seleção mexicana.

O técnico conversou por aproximadamente 15 minutos com o presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, no Morumbi e segundo informações, a possibilidade de disputar a Copa do Mundo de 2018 pesou para sua decisão.

Frustração

Osorio deixa o clube exatos quatro meses após sua estreia. O colombiano fez sua primeira partida pelo São Paulo na vitória por 2 a 0 contra o Grêmio, no dia 6 de junho. Seu último jogo à frente da equipe ocorreu no sábado, na vitória por 1 a 0 sobre o Atlético-PR, no estádio do Morumbi. Além de deixar o time na quinta colocação do Campeonato Brasileiro, com 46 pontos, Osorio garantiu a ida do Tricolor para a semifinal da Copa do Brasil. Por se tratar de um título inédito na história do clube, o técnico dava prioridade máxima para a disputa do torneio eliminatório.

A saída de Osorio é mais um duro golpe para a gestão do presidente Carlos Miguel Aidar. Nesta terça-feira, o clube confirmou a demissão do vice-presidente de futebol, Ataíde Gil Guerreiro, por conta de uma briga em que ele se envolveu com o mandatário tricolor. Há informações de que Ataíde desferiu um soco em seu superior durante uma acalorada discussão em um hotel paulistano. Os motivos do entrevero não são conhecidos, mas ambos vinham se desentendendo há tempos em meio à indefinição que rondava Osorio.

Com o São Paulo mergulhado em uma grave crise política, Osorio se decepcionou com as provocações públicas de dirigentes e a quebra de promessas por parte da diretoria. Em sua primeira entrevista no São Paulo, Osorio esbanjou cordialidade, arriscando até algumas palavras em português, e classificou a ida ao Tricolor como uma “oportunidade única” em sua carreira. Mas, nas últimas conversas com a imprensa, o técnico transparecia irritação e cansaço. O ponto alto do desentendimento entre as partes ocorreu em 25 de setembro, quando Osorio disse não confiar na diretoria por conta dos oito jogadores que deixaram o clube desde sua chegada. Segundo o treinador, os dirigentes omitiram que o São Paulo teria de sofrer tantas baixas para quitar problemas financeiros.

Histórico

Ao todo foram 12 vitórias, 7 empates e 9 derrotas em 28 partidas disputadas nos quatro meses em que esteve no Tricolor, o que configura um aproveitamento de 51%. Chama a atenção o fato de Osorio não ter repetido nenhuma escalação nesse período. Adepto de uma filosofia de trabalho que preza pelo rodízio de jogadores, o técnico fez uma série de experiências entre os titulares e alterou as posições de origem de alguns atletas. As principais novidades foram o deslocamento de Carlinhos para o meio-campo e a improvisação de Breno como volante.

Embora parte das novidades tenha irritado a torcida, Osorio leva o mérito por ter feito o atacante Alexandre Pato redescobrir seu futebol no Brasil. Após ter um pedido para atuar como ponta esquerda atendido pelo técnico, Pato passou a ajudar na marcação e, ao mesmo tempo, se tornou um dos jogadores mais letais da equipe tricolor. Osorio também leva crédito por ter incentivado a busca por alternativas nas categorias de base do clube. O zagueiro Lyanco e o lateral Matheus Reis são duas das revelações que figuram com frequência entre os titulares do plantel são-paulino.

 

(com Gazeta Esportiva)