Já imaginou uma música contando a sua história?

Desde pequena, sou muito ligada as artes, e principalmente a composição. Tudo o que me acontecia, ganhava letra e melodia. Tenho 18 anos de carreira dentro da música. Comecei aos 11 cantando nos palcos das Tv’s , e hoje, aos 28 anos, mesmo ainda muito nova, tenho muita coisa pra contar, e vou contando aos poucos, em artigos e títulos diferentes, em letras de músicas, textos, vídeos, e principalmente em meu dia a dia, através de minhas escolhas, comportamentos, trejeitos, ações. Vi muita coisa bonita passar por mim. Vi muita beleza exterior. Passaram rapidamente por mim, algumas pessoas que exalavam beleza interior, mas essas foram raras.

Vi tanto Ego na minha frente, e com ele, inseguranças, fraquezas escondidas em maquiagens, em popularidades, em números. Vi pessoas sorrindo na frente das câmeras, e por trás fechavam realmente suas caras. O que eu mais vi foram sorrisos plásticos. Tristezas escondidas por detrás da famosa frase: “Luz, câmera, ação”, das cortinas de grandes palcos. Grandes artistas, mas pessoas tão pequenas, que se escondiam por detrás da fama. Mulheres maravilhosas que não precisavam se desvalorizar tanto para serem vistas, amadas. Belezas Exóticas e de tirar o fôlego sendo desperdiçadas pela super-valorização do “corpo magro e malhado”, e eu vi tantas essências se perdendo no meio do caminho.

 

É claro que eu só enxerguei isso, porque algumas dessas coisas também aconteceram comigo, e eu não tenho vergonha de dizer.Eu abracei o ego com toda a minha força, e no ápice da minha adolescência, me senti independente, fui praticamente morar com um amigo, e batemos na porta de um escritório de show’s, porque tudo o que queríamos era ter a nossa agenda lotada, ou “bombada” como falávamos na época. É claro que nós conseguimos, né? Afinal, tudo o que a gente coloca o foco, é o que mais tarde manifestamos em nossas vidas.

 

Tínhamos show de quarta á domingo. As vezes, 3 num dia só. Agenda Lotada. E, como eu fazia praticamente a maioria dos meus shows em baladas, os “amigos” se aproximavam para me pedir “VIP”. E, pra ser legal eu arrumava pra quase todo mundo. Eu me divertia com aquilo. Os nossos show’s sempre lotados de falsos amigos, pessoas bebendo.

 

E, a minha vida era assim. Troquei o dia pela noite. Eu fazia show a madrugada inteira, e o dia inteiro eu dormia. Eu vivia cansada, claro. Eu fui perdendo a voz aos poucos. Eu vivia rouca. O som de balada é muito alto, e no fundo eu sabia que eu não era feliz fazendo aquilo, mas eu fazia porque o ego me dizia que eu precisava ter uma agenda lotada. Mas, a minha essência sabia que aquele não era o ambiente que eu gostaria de trabalhar, cantando músicas que eu não gostava, mas como eu acreditava na frase clichê; ” O povo é quem manda”, então eu apenas cantava o que eles queriam ouvir. Mas, fazia de coração aberto, claro. Eu dava o meu melhor, mesmo não fazendo exatamente o que eu gostava, e não estando nos ambientes exatos em que eu me identificava.

 

Agora me diz: O povo é quem manda ? Eu simplesmente coloquei o poder de minha vida nas mãos de qualquer um que não fossem as minhas. Nas mãos do ego, nas mãos do povo. A gente se engana, porque as felicidades que o ego trás, nos faz bem, mas apenas num curto prazo de tempo. Mas, se silenciarmos por alguns instantes, se prestarmos atenção, o nosso coração sempre sabe todas as respostas. Ele sempre sabe aonde queremos realmente estar, e o que é verdadeiramente bom para nós.

Todos nós nascemos puros, fortes e 100% alinhados com a nossa essência, e com o passar do tempo, com as convivências humanas, e por medo da separação, e de ficar fora dos grupos, a gente se distancia do que é, e se aproxima do que o outro quer que a gente seja. Mas, com isso, vamos ficando tão fracos e tão distantes de nós mesmos, que precisamos abraçar o ego com todas as nossas forças. Porque como paramos de nos dar amor, precisamos do amor externo. Necessitamos ouvir o quanto somos aceitos, bonitos, inteligentes; e quando ouvimos o contrário, como estamos tão longe de nossa essência, a gente acredita, e a consequência desses fatos, é a depressão, as drogas, a bebida, a tristeza, ou uma série de comportamentos que eu nem imaginava que poderiam ser consequências do abandono da nossa essência, como por exemplo tudo o que citei no início do texto.

 

Os sorrisos plásticos, o medo de dizer “não”, fazer as coisas apenas por cobranças dos outros, as mentirinhas pra agradar, a super valorização do corpo, sentir culpa, escolher carreiras grandiosas(em nossa mente) só pra mostrar pro’s outros o quanto somos inteligentes. Quem definiu inteligência ? Inteligência pro’s humanos seria então ter arquivado dentro de sua memória o maior número de informações importantes possíveis, certo?Mas, quem define o que é importante ? Não seria então relativo o que é importante para mim, e o que é importante para você?

 

E partindo desse ponto de vista, não existe alguém que não seja inteligente, afinal o Zé da esquina pode saber muito bem como se preparar uma feijoada, e o Radamés Venâncio (produtor musical de Ivete Sangalo) sabe como ninguém definir um ótimo repertório pra sua cantora Ivete, e do outro lado o Mark Zuckenberg criou a plataforma de comunicação mais popular dos últimos tempos. Mas, se pararmos pra pensar, ele precisa se alimentar, e na casa dele deve ter a Dona Maria que é expert em fazer a melhor macarronada.

 

Esses exemplos nunca teriam fim. Mas, eles servem pra nos lembrarmos de que cada um de nós carrega o dom de ser capaz, e de ser feliz. Todos nós somos seres únicos, e temos dons diferentes uns dos outros. E se a gente tenta ser como o outro, a nossa essência se vai ralo abaixo. A nossa essência se perde, se mistura com a de outro alguém. E sem identidade, você também perde o brilho, e deixa de ser admirável, e o pior: Deixa de fazer diferença na vida das pessoas.

 

Falei tudo isso, porque durante muito tempo trabalhei debaixo das asas do meu pai. É claro! Eu comecei muito criança. Mas, mesmo criança, e mais tarde, adolescente, não pude deixar de perceber as pessoas ao meu redor. Eu que sempre fui tão observadora. Eu ficava quieta, eu me calava mesmo, mas chegando em casa eu escrevia, escrevia até doer as minhas mãos, e mais tarde, tudo isso virava música, é claro.

 

Até pouco tempo eu ainda tinha esses cadernos que eu escrevia. Eram mais de 30. Fiz um trabalho de re-visitar a minha infância, e percebi que a nossa criança interior sempre esta ali, as vezes um pouco ferida, e por isso a importância de re-visitar e re-significar. E foi o que eu fiz. E, percebi que alguns pensamentos ainda permaneciam em mim, mesmo na fase adulta. Tudo o que a gente precisa fazer é despertar a nossa criança interior, e se voltar pra dentro, pra nós mesmos, pra nossa essência, e descobrir o que realmente nos faz feliz de verdade, e não ficar fazendo coisas que sabemos que as pessoas vão admirar mais, se fizermos.

 

Foi um trabalho difícil, mas foi quando eu soltei o ego, que a minha criança interior voltou. E, a minha voz também foi deixando de ser rouca. E, com ela veio junto a minha essência, a minha verdadeira identidade, e finalmente eu me sinto livre pra poder compartilhar com as pessoas quem eu realmente sou.

 

Quem queria uma agenda lotada era o ego. Quem diz sim pra tudo e pra todos é o ego. Quem precisa postar fotos maravilhosas de um corpo é o ego. Quem precisa ter milhares de seguidores nas redes sociais é o ego. Quem precisa se matar pra agradar os outros é o ego. Os exemplos são intermináveis. (risos)

Nesse meu processo de soltar o ego, que foi bem intenso, fui percebendo que não gosto mais daquelas pessoas que tentam me agradar. Que não gosto menos de quem está ausente. Que não gosto mais de quem me dá mais “sim”. Decidi que eu faria apenas as músicas que eu acredito, e que eu não iria mais correr. Porque desde que aprendi que uma vida abundante não tem a ver com a quantidade de coisas que você faz (agenda lotada), e sim com o coração aberto que você coloca nas coisas que você faz, aí minha vida mudou.

Desacelerei, e por incrível que pareça, as coisas começaram a acontecer. Eu corria desesperada atras das borboletas importantes, e hoje sei dentro de mim que não existem borboletas importantes. Aprendi a cuidar do meu jardim com amor, e assim as borboletas certas começaram a aparecer.

E, foi assim que nasceu o projeto “Sua Música Personalizada”. Na verdade, como sempre gostei de fazer música, eu faço isso desde sempre, mas nunca levei muito a sério esse projeto que eu definia como Lado B; até porque eu precisava me dedicar 100% apenas na minha carreira, que por outro lado, era definido por mim como Lado A. Ainda temos a velha mania de nos apegar aos rótulos, e isso é uma bobagem tão grande. Tudo flui melhor quando paramos de pensar e começamos a sentir.

Então, eu apenas presenteava as pessoas com essas músicas personalizadas, e quando resolvemos juntas, eu e Camila, profissionalizar o projeto, a minha vida ganhou um propósito indescritível. As pessoas nos contam as suas histórias, e eu não posso escolher o que é importante ou não, na historia delas. Eu organizo as idéias, combino alguns versos e rimas, e em seguida faço a melodia. A música passa para um de nossos produtores musicais, e aí ganha forma. É como se eu fizesse a alma, e o produtor trás o corpo físico, a roupa, entende ? A letra e a melodia é a alma do negócio, mas o arranjo é o corpo, a roupa, a maquiagem, o enfeite final e fundamental.

Eu amo fazer isso. É inexplicável fazer uma música que será a música da vida da pessoa. E hoje encontrei um dos meus propósitos, mas eu precisei me abrir pra minha verdadeira essência antes. É mágico e flui facilmente quando você usa os seus talentos em pról dos outros.

A sua vida terá sido desperdiçada se você deixar de ser quem você é. Ser você mesmo torna a vida mais fácil, mais leve, e acredite: Todos os seus sonhos reais começam a acontecer, e você começa a se dar conta dos tantos sonhos que você está realizando mas que nem sabia que sonhava, porque você estava ocupado demais concentrado no que as pessoas queriam que você fosse.

Seja bem sucedido, seja você mesmo!

BRUNA PINHEIRO

Tive um histórico profissional tradicional. No segundo ano de faculdade em Propaganda e Marketing, comecei a estagiar em uma das maiores agências de propaganda do país, e de lá fui promovida, pulando de agência a agência, cliente a cliente. Até atingir cargos altos e um certo reconhecimento. Fui transferida para uma agência em Los Angeles, onde trabalhei por 2 anos, e na volta, continuei o processo de minha carreira na área. Aprendi muito, foi tudo muito rápido. Tão rápido que muitas vezes me senti atropelada pelo processo, e por tanto trabalhar. Nunca tive medo de trabalhar. Pelo contrário, como toda boa capricorniana, gosto muito de poder desempenhar um bom trabalho. Gosto até do tal “arregaçar as mangas”. Em 2015, comecei a trabalhar na carreira da cantora Bruna Pinheiro e como um passe de mágica, as portas começaram a se abrir para mim.

Acredito muito que o universo funcione contrário ao que imaginamos. Acreditamos em um formato conservador, de termos para fazermos. Eu já penso que quando somos audaciosos, parece que tudo se abre para nós. Me lembro de uma conversa que tive com minha avó certa vez. Eu deveria ter entre 7 e 8 anos de idade, e chorava copiosamente porque dizia a ela que minhas economias da mesada jamais seriam o suficiente para eu ter uma casa, e constituir uma família. Enxergava com os olhos de uma menina, e com os recursos que tinha naquela ocasião: um cofrinho com o equivalente a R$ 50. Minha avó, muito doce e paciente, me explicou que no futuro meus recursos seriam diferentes, e que não adiantaria eu sofrer com o que tinha naquele momento, pois estava comparando realidades diferentes. E levei isso comigo por toda a vida. Muitas vezes sofremos por antecipar uma dor, comparando nossa capacidade de suportá-la, ao momento atual. Quando esquecemos, que um dia, quando de fato tivermos que enfrentá-la (seja a morte, um desemprego, ou qualquer outra dificuldade), estaremos infinitamente melhor preparados para tal desafio. Acredito que quando damos o primeiro passo, no amor, e não no medo, o universo se abre para nós e parece que recebemos de todos os lados, tudo o que precisamos para seguir. Já aconteceu comigo algumas vezes, quando me arrisquei.

E foi o que aconteceu quando resolvi largar minha carreira, em busca de novos desafios; principalmente o de ser autônoma e criar minha própria rotina. Foi quando me juntei à Bruna, primeiramente para empresariar sua carreira artística, e num segundo momento, quando viramos sócias e criamos o “Sua Música Personalizada”, que é uma empresa que desenvolve músicas sob encomenda, para quem se ama. É um empreendimento novo, mas que já está dando um retorno absolutamente positivo. Vendemos músicas para aniversários de bebês e crianças, casais, dia dos pais, das mães, aniversários e para qualquer outra ocasião especial, ou data comemorativa.

Aprendi ainda no processo que para ser um sucesso, você precisa se juntar a pessoas qualificadas e que pensam como você. Precisa ainda ter persistência, e para isso precisa ter muito amor, porque essa é a única forma de fazer as coisas fluírem. E foi o que fizemos. Montamos o que chamamos de mente mestra, que é um time de profissionais qualificados, super talentosos, dentre eles compositores, produtores musicais, músicos, cantores e uma equipe de vendas fera. E o mais importante, todos e cada um tem seu papel fundamental no processo, e ganham por isso. Não precisamos fazer tudo sozinhos, as vezes o que fazemos não é suficiente, e só precisamos nos unir com outras pessoas que são especialistas no que não sabemos fazer, para o processo fluir. E é muito importante que seja algo que todos ganhem, pois quando todo o time está feliz e satisfeito, eliminamos fatores externos como tempo e dinheiro, e deixamos apenas o coração comandar.

Entusiasmo é unir o chamado do coração ao agir, ao realizar. E este é o ponto chave do sucesso. É preciso estar alinhado ao que te faz feliz, ao que você sabe e gosta de fazer. Mesmo que o que te faz feliz é saber que você não gastará 1/4 de seu dia no trânsito. Mesmo que o que te entusiasme seja não ter um chefe ou seguir uma cartilha de funções. Porque isso jogará à favor de sua eficiência. E uma tarefa que você poderia levar horas para realizar, e procrastinar; pode ser realizada em minutos quando se tem empolgação e amor. Bruna e eu somos muito felizes, porque estamos no fluxo de nossos corações, e entregamos amor em formato de música. Com criatividade desenvolvemos uma empresa pioneira, em um segmento que ainda não existe, no nicho de presentes personalizados. E a satisfação que temos ao entregar uma música e ver a emoção de nossos clientes ao ouví-la pela primeira vez, vai totalmente de encontro ao que esperamos da vida, nossa missão e valores.

Não passe o resto de sua vida seguindo o fluxo, por ele parecer correto para você. Se desafie. Confie nas suas escolhas. E faça tudo aquilo o que tem vontade e te faz feliz. E um dia você vai se perceber trabalhando, como se estivesse executando seu hobbie favorito. E ganhando dinheiro se divertindo. Vale a pena ser feliz.

CAMILA CHAGAS