Escrever bem não é usar palavras difíceis

Todo escritor é um lapidário em sua essência, com a diferença de que, ao invés de transformarmos pedras brutas em preciosas, nós lapidamos palavras, transformamos o simples em magia e traduzimos sentimentos em pontos e letras. Nessa arte, a chave do sucesso não é rechear seu texto de palavras complexas, de difícil compreensão, como muitos acreditam, mas comunicar-se bem. Lembre-se: somos, antes de tudo, comunicadores e, portanto, devemos transmitir com clareza a nossa mensagem. Como você tem feito isso?

Pergunte-se sempre qual é o seu público-alvo, com quem você fala através da palavra escrita. Qual o gênero e a idade deles? São especialistas em determinado assunto? Você escreve literatura de entretenimento ou técnica? Se a sua resposta foi “literatura de entretenimento”, nunca deseje que o leitor traga seu livro em uma mão e o dicionário em outra. Veja, não digo para nunca utilizar palavras complexas, ao contrário, eventualmente elas são bem-vindas e enriquecem o vocabulário de seu expectador, no entanto, histórias construídas apenas com elas afastam o público. São barreiras perigosas entre você e ele.

Narrativas bem construídas são aquelas que se atentam para a correta grafia das palavras (ortografia), às regras do idioma (gramática), à conexão entre as ideias trabalhadas (coesão) e à lógica (coerência). Além disso, o ajuste fino de um texto exige a substituição de algumas palavras por seus sinônimos sempre que houver a repetição de vocábulos em um mesmo parágrafo ou em proximidade, nesse caso, a utilização de um dicionário é fundamental, como este: www.sinonimos.com.br.

Autores de romances e outros gêneros de entretenimento devem transbordar criatividade, brincar com as palavras e usufruir de figuras de linguagem como, por exemplo, a comparação e a metáfora. Não opte pela objetividade de dizer “a solidão traz infelicidade”, quando pode afirmar que “o coração do solitário é como o tambor que soa um timbre oco e isolado”.  Não diga que “o casal só esbanja felicidade quando se veem”, mas que “a lua é dos amantes, aqueles que só riem quando abraçados pela luz de seu amado”.

Não caia na graça dos 280 caracteres, resumos são importantes para a sinopse e o texto de orelha, não para o corpo do seu livro. A sua história precisa ser bem explorada. Mesmo assim, corte o desnecessário. Personagens devem existir desde que sua participação no enredo seja justificável e útil, cenas sem finalidade devem ser excluídas. Afinal, maior número de página não é sinônimo de boas histórias, mas páginas bem aproveitadas o são.

Além dessas dicas, há outra de extrema importância: escreva com o coração, viva a sua história, conheça a fundo seus personagens. Você é o primeiro imigrante deste mundo de magia criado dentro da sua mente, por isso, desfrute-o e cuide para que seus leitores sejam bem recebidos nesse lugar mágico. Você é um anfitrião.

Boa sorte!

Sobre Larissa Molina 4 Artigos
Larissa Molina é jornalista, escritora, revisora e ghost writer. Por acreditar no autor nacional, criou um Canal no YouTube, o qual leva o seu próprio nome, para conversar com esse público e também com seus leitores. Ela escreve histórias desde seus 12 anos e, em dezembro, realizará o sonho de ver um de seus romances impresso e nas livrarias.