“Enquanto a honestidade for um objeto de louvor, a desonestidade seguirá sendo o normal.”

 

“Enquanto a honestidade for um objeto de louvor, a desonestidade seguirá sendo o normal.  (frase tirada do livro: “As 16 leis do sucesso” de Napoleon Hill)

 

Havia um rei muito sábio e rico que, ao adoecer, decidiu passar a coroa ao filho. Como o príncipe ainda era solteiro e, segundo a tradição, deveria se casar antes de assumir o trono, o rei resolveu escolher uma esposa para o filho. Para isso, marcou uma celebração especial onde apresentaria o príncipe e lançaria um desafio. A moça que vencesse o desafio, tornaria-se sua esposa.

Uma serva muito pobre do palácio ouviu os comentários sobre o desafio e ficou muito triste, pois sabia que sua filha , uma moça humilde, mas muito bela e honesta, nutria um sentimento especial pelo príncipe. O sonho da moça era, pelo menos, algum dia, poder ver o príncipe de perto. Quando a mãe chegou em casa, a filha estava à sua espera. Ela também já havia sido informada sobre as intenções do rei e esperava a autorização da mãe para participar do desafio. Cética, a mãe tentou desencorajá-la: Minha filha, o que você faria lá? Estarão presentes as mais belas e ricas moças da corte. Tire essa idéia de sua cabeça. Eu sei o quanto gosta do príncipe, sei que deve estar sofrendo, mas não transforme esse sofrimento em uma tortura ainda maior. Mãe, respondeu a filha, sei que não serei a escolhida. Mas, é minha única oportunidade de ficar, pelo menos alguns momentos, perto do príncipe. Isso já me fará feliz.

Mesmo relutante, a mãe acabou consentindo e, no dia da celebração, a moça foi ao palácio. Lá, de fato, estavam não só as mulheres mais belas e ricas do reino, mas também as de inúmeros reinos vizinhos. Seus vestidos eram lindos. Estavam cobertas de jóias valiosas e com maquiagens impecáveis. A moça, tímida e humilde, manteve-se discreta num canto, esperando o príncipe aparecer e anunciar o desafio. Enfim, no final da tarde, o momento chegou. O rei apresentou o príncipe, que anunciou o desafio: Darei a cada uma a semente de uma rara espécie de flor. Daqui a três meses, vamos ter outra celebração. A jovem que souber cultivar melhor a semente e trouxer a flor mais bela, será a minha esposa. A filha da serva pegou sua semente e foi pra casa muito feliz , repleta de esperanças. Na verdade, contra todas as perspectivas, ela teria uma chance: ela somente precisaria cultivar a flor com todo cuidado possível. Era isso que ela faria. Na manhã seguinte, plantou a semente num vaso e passou a tratá-la com todos os cuidados possíveis. Desejava que a beleza da flor fosse da intensidade de seu amor pelo príncipe. Se isso acontecesse, ela já se sentiria satisfeita. 

O tempo passou e um mês depois, a semente ainda não havia germinado. A jovem tentou de tudo, fez uso de todos os métodos que conhecia, mas não conseguia fazer com que a semente germinasse. Dia após dia, seu sonho parecia mais distante, mas seu amor não permitia que ela desistisse. Por fim, os três meses haviam passado e a semente não havia germinado. E agora? O que fazer? Um dia antes da celebração, ela já implorava, desesperada, para que sua mãe a deixasse retornar ao palácio. Ela não pretendia nada além de passar mais alguns momentos na companhia do príncipe. Queria ficar perto dele, só isso.

 

A mãe era contra. Queria proteger a filha da vergonha e humilhação. Sabia que ela ficaria machucada para sempre. Mas, por fim, consentiu que a filha fosse. 

No dia da celebração, ela estava lá. Temendo que talvez não a deixassem entrar sem a flor, ela levou seu vaso, embora vazio. Todas as outras jovens traziam flores lindas, robustas, coloridas e cheirosas. Havia rosas, violetas, jasmins, orquídeas, todas, das mais variadas formas e cores. A pobre filha da serva do palácio estava triste, frustrada e envergonhada com seu pote vazio. Sentia-se humilhada, mas também grata por estar ali. O que ela poderia ter feito se a semente não germinara? No final da tarde, chegou o grande momento da escolha. As mulheres foram todas colocadas em um círculo. Para ficar mais perto do príncipe, a moça foi lá, com seu pote vazio. O príncipe observou cada uma das pretendentes. Parecia muito satisfeito com as flores que haviam trazido. Após analisar uma a uma, ele retornou ao centro do círculo para anunciar o resultado. 

Que surpresa: entre todas, o príncipe escolheu justamente a filha da serva do palácio, que trazia um pote vazio. As pessoas tiveram as reações mais inesperadas. Ninguém compreendia porque o príncipe havia escolhido justamente aquela moça que nem mesmo conseguira cultivar sua semente. Então, calmamente, o príncipe explicou o motivo de sua escolha: Esta bela moça, ele disse, foi a única que cultivou a flor que a tornou digna de se tornar minha esposa e rainha. Ela cultivou a flor da honestidade, pois todas as sementes que distribuí naquela tarde, três meses atrás, eram sementes falsas e, portanto, estéreis. (História tirada do livro: “As 16 leis do sucesso” de Napoleon Hill, e comentado por Jacob Petry).

Essa história é simplesmente linda porque ela nos mostra o quanto a maioria de nós temos medo de ser verdadeiros pelo medo do que “vão pensar”. E aí escolhemos ser “políticos”, e manter a política da boa vizinhança. Escolhemos, muitas vezes, ficar quietos por medo de causar algum stress ou um clima desagradável, quando na verdade utilizar as máscaras se torna muito mais desconfortável. Ainda temos medo da “não aceitação” dos outros, e por isso quanto mais ficamos quietos, menos problemas temos em socializar por aí. A vergonha vem do medo de perder vínculos. (Frase tirada do livro “A CORAGEM DE SER IMPERFEITO” de Brenê Brown).

É exatamente por não termos coragem de sermos quem somos em essência, que o mundo tá virado do avesso. Geralmente, os bons são tímidos, e os “maus” são os extrovertidos, sem papas na língua. Os valores estão invertidos. Mas, não é difícil reajustar, e colocar cada coisa em seu devido lugar. Não há nada de errado em ser honesto. Existem várias formas de se comunicar. Existem vários tipos de comunicação.

Existe a comunicação passiva que é a comunicação escolhida pela nossa criança interna, então ela toma conta da gente quando não estamos confortáveis, quando estamos com medo, tímidos, ou numa situação embaraçosa onde estamos tendo que lidar com os nossos pontos fracos. E nesse tipo de comunicação, normalmente concordamos com a cabeça, mas não com o coração. Ficamos aflitos por dentro por não termos conseguido nos expressar como queríamos naquele momento. As pessoas que se comunicam de uma forma passiva são mais tímidas, sentem vergonha de perguntar porquê, tem medo de dizer “não” e raramente reclamam, mesmo descontentes. Elas guardam sapos, e normalmente em algum momento explodem, fazendo com que relacionamentos sejam interrompidos. Elas não querem desagradar o outro então fogem de conflitos. 

Existe também a comunicação agressiva, que normalmente é bem fácil de reconhecer. As pessoas que usam a comunicação agressiva sempre são muito intransigentes, falam alto, impões suas opiniões, as coisas só podem ser como elas querem senão ficam emburradas, costumam falar alto, e não escutam o outro. Essas pessoas costumam falar em tom imperativo, são pessoas que ordenam, e querem as coisas na hora. Normalmente são pessoas impacientes. É autoritário, intolerante, dono da verdade. 

Já as pessoas que utilizam a comunicação agressiva-passiva são pessoas mais conhecidas como “falsas”, porque elas nunca entram em conflitos, estão sempre bem com todo mundo, mas fazem um “trabalho feio” nos bastidores. São pessoas, normalmente irônicas que gostam de tirar do sério as pessoas que as incomoda. Essas pessoas gostam de instigar até que você perca o controle, e em seguida questiona as suas “reações exageradas”. Pessoas que costumam dizer: “Eu não estou com raiva”, mas por dentro estão se remoendo.

E finalmente, o melhor tipo de comunicação: a Assertiva, essa que vem do nosso adulto, é a comunicação que agrega pessoas. As pessoas assertivas respeitam seus próprios sentimentos mas respeitam também o outro. Elas não impõe suas opiniões, mas sempre as expõe de uma forma clara. Ao invés de apontar o dedo ao outro, elas costumam falar de seus sentimentos. A comunicação assertiva é objetiva, e as pessoas que se utilizam desse tipo de comunicação, se expressam com gentileza e firmeza ao mesmo tempo. Demonstram segurança em suas falas, sabem o que quer. Eles sabem dizer não numa boa. Ser assertivo é lidar numa boa com as suas vulnerabilidades. Ser vulnerável não é sinônimo de fraqueza, ela é então a melhor definição de coragem. Vulnerabilidade é como você lida com os seus sentimentos, já a assertividade é como você os comunica. Assertividade é a habilidade de comunicar sentimentos, sejam eles bons ou ruins, fraquezas e fortalezas. 

E nós temos a velha crença de pensar que vamos perder as pessoas se nos mostrarmos vulneráveis, e por isso todas as moças belas e ricas deram um jeito de levar uma flor linda para o príncipe naquela especial celebração, enquanto a filha da serva foi autêntica, mas com seu vaso vazio. Quantas vezes na vida a gente se pega agindo como as moças belas e ricas? Quantas vezes, a realidade de nossa vida é mesmo um vaso vazio, mas pra “não ficarmos pra trás” acabamos levando um vaso maravilhoso das flores mais lindas? É preciso muita coragem para assumir o seu vaso vazio.

Não tenha medo de dizer como você se sente. Não tenha medo de ser honesto com você mesmo em primeiro lugar, e depois para com o outro. Tenha medo sim de apontar o dedo ao outro, e até pra você mesmo. Tenha medo da mentira. Não perca tempo julgando, ou validando sentimentos, ações próprias e também alheias. No final das contas, que se casou com o príncipe foi a filha da serva, ela que se mostrou vulnerável. Nem sempre as provas que estamos passando, nessa vida, são o que parecem. A gente nunca consegue enxergar o todo, e exatamente por esse motivo é que devemos ser os mais verdadeiros possíveis. Não deixe passar as oportunidades que você terá para ser verdadeiro. Isso não significa que você vai sair por aí falando tudo o que pensa. Sabe aquelas pessoas que dizem: “Eu falo mesmo. Eu falo na cara. Eu sou sincera.” Essas pessoas não tem o equilíbrio e a inteligência emocional pra saberem quando falar ou quando ficarem quietas. Assertividade é também saber a hora de falar ou calar. 

Bruna Pinheiro

 
Estamos nos acostumando com padrões sociais, ao invés de questionando-os. São tantas as circunstâncias que nos submetemos diariamente e nem paramos para pensar. Tomamos crenças como verdades absolutas, e elas nos limitam de evoluir. Já esperamos ser roubados, enganados, porque isso está se tornando “normal”. Praticamente agradecemos na rua quem é honesto. A sinceridade e gentileza nos surpreende. Recebemos recompensas financeiras por ajudarmos ao próximo, por devolvermos um cachorrinho abandonado. Não deixamos de comer carne, porque achamos que nosso organismo precisa dela. Não invertemos os padrões de trabalhar 90% de nosso tempo e só dedicarmos 10% dele a quem amamos, pois temos uma força interior que nos move a acreditar que se não for dessa forma, iremos fracassar.

Tendemos sempre a acreditar que as pessoas são superiores à nós, o que nos faz esconder nossa essência, na falsa impressão de que seremos mais aceitos se formos diferentes e superficiais. Não queremos ser deixados de lado pela sociedade. Isso vale para padrões de beleza, de se vestir, de se comportar. Nada, nem ninguém é perfeito. Todo mundo vai ao banheiro, tem dores, medos, desconfortos, inseguranças de vez em quando, ou de vez em sempre. O ser humano é movido por uma série de estímulos mentais, que acabam controlando nossos comportamentos. No cinema tudo é retratado de forma perfeita, simétrica e orgânica. Crescemos sonhando com contos de fadas, e quando adultos, pulamos de um relacionamento a outro porque não estamos acostumados a aceitar as dificuldades da vida. Somos mimados e enganados pela mídia. 

“Quanto uma pessoa para de pensar pelos padrões sociais, conceitos culturais, opinião de massa, manipulações da mídia, e finalmente aprende a pensar por ela mesma. Morre um zumbi e nasce um rebelde.” – Masashito Iwasaki Junior

Existem pesquisas que comprovam que pessoas socialmente mais ansiosas são mais auto críticas socialmente e portanto, se privam e se escondem mais do que observadores objetivos. Portanto ao relatar uma ausência de habilidade, acabamos demonstrando mais crenças negativas, do que nosso real desempenho em si. Existe uma diferença entre não ter habilidade social e equilíbrio emocional, e não ter um desempenho adequado devido ao excesso de ansiedade.

Vamos parar e nos questionar? Vamos ser honestos, e mudar o padrão social de que a desonestidade é o comum, e que o honesto é raridade. Os padrões estão distorcidos, e não podemos mais achá-los normais. Precisamos pensar e analisar, ao invés de repetirmos o que ouvimos e repetimos há anos, mas que sequer paramos para assimilar o que estamos dizendo.

 

Camila Chagas